A geração "mais bem preparada" e a emigração

03-06-2023

Ultimamente tenho ouvido e lido muitos comentários acerca do que dizem ser a geração mais bem preparada. Curiosamente não me apercebo de contraditórios a esta falácia. Estarei sozinho na minha visão ou os que a compartem comigo não intervêm porque têm mais o que fazer? Tentarei explicar a minha opinião.

Como disse tem sido comum ver e ouvir comentários e artigos em jornais acerca da que dizem ser a geração mais bem preparada. Não me revejo nestas palavras. Pode dizer-se, e os números não mentem, que esta geração é a que passou mais tempo na escola, a que tem mais competências aprendidas na escola e que mais se dedicou ao ensino superior. Não sei exatamente quais são as causas mas acredito que duas delas possam ser o incentivo dos pais que esperam um futuro melhor para os seus filhos - erradamente sobrevalorizando a formação superior em prol da formação técnica - e o incentivo do Estado para que os jovens prossigam os estudos e assim atingir quotas que embelezam as apresentações em Bruxelas. Porém, estudar mais, não faz de uma geração a mais bem preparada, antes a mais estudada.

O que quero dizer é que as competências de alguém não se resumem às aprendidas na escola, sendo, no entanto, fundamentais. A estas temos que adicionar as competências sociais, políticas e económicas e o saber estar. Acrescento ainda características que nos elevam as competências como a ambição, a dedicação, a valorização do trabalho e da família, a espiritualidade entre tantas outras. Portanto, considero muito redutor dizer que só porque se estuda mais se é mais competente: muito longe disso.

Talvez não seja culpa dos jovens, mas dos mais velhos, nomeadamente dos pais e professores, que consideram que com tanto tempo investido, um indivíduo tem que ser competente e imediatamente valorizado - ou dizer sobrevalorizado? A verdade é que se incutiu uma ideia falaciosa na mente dos jovens desta geração.

A geração "mais bem preparada" tem tendências narcisistas. Assume à partida que sabe muito e que as empresas e instituições não a valorizam porque são geridas por ignorantes incompetentes com a quarta classe. Dá-se a ideia que bem e bom são as start up que conseguem cativar com incentivos um tanto ou quanto dúbios, com uma gestão que, como sabemos, raramente cria valor e quase sempre dá prejuízo. E não se enganem jovens, se uma empresa não dá lucro, salvo raríssimas excepções, está a causar prejuízo à sociedade.

Depois surge o tema da emigração: se em Portugal não sou valorizado emigrarei. Pois a minha visão é diferente. A emigração é um refugio para os incompetentes e/ou preguiçosos. Claro está que nem todos os emigrantes são incompetentes e/ou preguiçosos, mas uma grande parte dos emigrantes da geração "mais bem preparada" são-no. Se um indivíduo for trabalhador, dedicado, competente e interessado, não há empresa ou instituição que não o queira e valorize.

Acresce ainda um ponto que me deixa muito desconfortável. Ora, se o país não presta, não é capaz de me valorizar e de me pagar o que mereço, como é que, tendo eu sido formado cá, posso ser tão bom no exterior? Esta é uma pergunta que os jovens se devem fazer. E outra pergunta é a seguinte. Se o país tem lacunas e eu sou tão competente, porque não ficar por cá, valorizando o país e trabalhando para melhorá-lo? Já para não dizer que é de grande ingratidão ter utilizado os recursos do país e depois abandoná-lo.

No final de contas esta não é a geração mais bem preparada embora se lhe tente incutir essa ideia. Mas, volto a dizer, não é sua responsabilidade, a priori. Passa a ser quando acreditam na falácia e nada fazem para mudar.

Tenho mais direitos do que deveres. Quando inicio a minha carreira já sei muito logo não posso começar com um salário modesto. Só tenho uma vida e tenho que a aproveitá-la ao máximo por isso trabalhar 6 horas por dia é mais do que suficiente. Os meus pais têm uma casa e eu também quero uma. E assim por diante. Pois eu digo-vos o que ensino às minhas filhas: primeiro tens deveres e só depois é que tens direitos; começa por baixo e mostra o que vales; dedica-te sempre ao máximo e principalmente enquanto és jovem, mas nunca te esqueças da importância da família e de Deus; tens tempo para ter uma casa.

Finalizo dizendo o seguinte. Tenho 33 anos, uma mulher e três filhas incríveis. Iniciei a ganhar o salário mínimo quando ainda era de 426,50€. Ainda não tenho casa própria e não é algo que me perturbe. Com trabalho, dedicação e esforço, consegui elevar o meu salário a um nível muito confortável. E pasmem-se, nunca terminei o curso de Economia na FEP.

Meus amigos, jovens como eu, trabalhem, dediquem-se, foquem-se no que é importante e parem de se queixar como se fossem uns coitados infelizes desvalorizados pelo país e pelos empregadores.