Israel: onde está Deus?

15-04-2024

Estou cansado, sentado no lobby de um hotel depois de conduzir 1000Km. E enquanto lia as notícias, me punha a par dos problemas que o Mundo enfrenta, deu-me uma vontade súbita de me fazer ouvir. O mais provável é que seja lido por poucos, mas ainda assim esta satisfação de me expressar não me é negada.

Antes de mais tenho que dizer, para os que estão a ler e nunca lidaram tempo suficiente comigo, que sou um homem de fé, de crenças religiosas vincadas, mas ainda em busca de mais fé. Acho importante deixar isto claro.

Temas ligados a Deus são-me bastante queridos. Qualquer que seja a religião já que o entendimento de Deus é muito amplo e não deve ser, de modo algum, limitado a uma religião - que é, acima de tudo, uma construção humana e, portanto, falível. E este é o primeiro problema de Israel: só há um Deus e Ele é-o dos israelitas, dos portugueses, dos mexicanos e também dos iranianos. A primeira falácia dos judeus ultraortodoxos é acharem que o seu Deus é melhor do que o outro. Não é, simplesmente por só há Um.

Fosse isto insuficiente, os ultraortodoxos querem guerra. Quiseram-na, e mantêm-na contra os coitados dos palestinianos, e querem-na contra os iranianos. O tema não é quem tem razão, até porque isso levar-nos-ias a muitos anos atrás e não seria possível sem incluir outros países e outras pessoas que foram essenciais para o desenvolvimento do que se vive agora no Médio Oriente e do que o Irão se tornou. O tema é a beligerância em si. Se os judeus são herdeiros de uma das religiões monoteístas mais antigas do Mundo - estou muito cansado para confiar este dado e temo que se para de bater no teclado já não continuarei o texto - então são como que guardiões de Deus, o irmão mais velho que nos guia. Aqui reside a segunda falácia. É que se os judeus são o povo escolhido - e basta na verdade serem crentes em Deus para que isto seja verdade - então deveriam entender que a guerra é má, que qualquer ato deliberado que prejudique outro, portanto, que contenha maldade em si, é mau e contrário a Deus. Estranha-me, por isso, que os ministros que estão no gabinete de guerra de Israel, ultraortodoxos, ou seja, que validam de forma contundente as escrituras e os ensinamentos que de lá se tiram, aceitem a guerra.

Portanto, temos judeus ultraortodoxos que não respeitam muçulmanos como seus semelhantes e que aceitam a guerra como uma ação justa nem que seja por vingança. Não conhecendo profundamente a religião judaica acredito que não será muito diferente da cristã ou mesmo da muçulmana com exceção de dois ou três pormenores como sejam a vinda ou não vinda do messias e o paraíso pós morte física neste Mundo.

Para mim é difícil compreender que o ego leve a melhor numa discussão que possa danificar severamente ambos os lados - e é isso que está a acontecer: Israel atacou o Irão, o último ripostou com o objetivo único de não ficar diminuído já que inclusive avisou os aliados do primeiro, e o primeiro quer ripostar o que poderá provocar um circulo vicioso perigoso. Mas é muito mais difícil de compreender sendo o gabinete de guerra israelita composto por ministros ultraortodoxos. Ou será que esse é o problema? É que do lado do Irão vemos uma autocracia ultraortodoxa. Muda a religião mas os hábitos e as vontades são as mesmas: aniquilação do opositor.

Este é um texto de desabafo. Estou farto que se criem conflitos e problemas onde não os há. Milhões de pessoas sofrem de fome, nos conflitos, por abusos de outras... Sudão, Iémen, Tigray, Ruanda, Haiti, Darian Gap, Ecuador, Nicarágua, Myanmar, Oeste da China, Palestina, Irão, Rússia... Muitas mais sofrem com catástrofes naturais causadas por nós, sociedade "evoluída"... Ainda assim, em vez de nos unirmos, de nos fazermos próximos pelo que nos une, que são tantas coisas e boas, trabalhamos arduamente para prejudicar o próximo, numa guerrilha constante de ver quem é o mais forte.

Pu.. que pariu. Estou farto desta mer..